Olá leitores!
Mais um final de semana com diversas opções de corridas para
assistir, ainda bem. Coelhinho da Páscoa trouxe muita velocidade para os fãs de
esporte a motor.
Nas areias do Bahrein tivemos a 3ª etapa da temporada 2017
da F-1, e foi uma corrida razoavelmente interessante. A mudança para o horário
noturno melhorou muito a prova, que na sua fase diurna era chata de dar azia no
bicarbonato de sódio, mas após ir para a noite melhorou sensivelmente. Para
todos a mudança foi benéfica: o calor é menor, a umidade do ar é maior, e
talvez por coincidência as disputas por posição são mais intensas.
Vitória de Vettel, no braço e na estratégia. Logo na largada
pulou de 3º para 2º, passou a pressionar o líder Bottas até a 11ª volta, quando
parou para trocar os pneus antes da Mercedes, que só o fez quando o safety-car
entrou por causa da batida entre Sainz Jr. e Stroll, e a partir desse momento
assumiu a liderança, que viria a perder apenas após a troca seguinte de pneus,
mas após todos os pilotos fazerem suas trocas ele estava novamente na frente do
pelotão. Seu companheiro Räikkönen (4º) fez uma largada horrível, perdeu
algumas posições, e depois foi vir remando para a frente até conseguir ficar
atrás dos dois Mercedes. Reclamou muito pelo rádio. Sua esposa está gravida
novamente, talvez ele queira uma faixa especial para pais para correr... mas
levando em conta a largada, o resultado (terminou 2 segundos atrás do Bottas)
não foi tão ruim.
Em 2º e 3º chegou a dupla da Mercedes, respectivamente
Hamilton e Bottas. Lewis não esteve em um de seus dias mais inspirados: perdeu
a 2ª posição na largada, teve que ficar se defendendo do Verstappinho que
estava pressionando fortemente o tricampeão, e na hora do safety-car ele acabou
se enrolando: como viu que o Bottas estava trocando os pneus, resolveu diminuir
a velocidade antes para dar tempo dele sair... só que nisso atrapalhou o
Ricciardo, que vinha atrás e foi solenemente ignorado pelo Hamilton. Ele ignorou,
mas os comissários não: após analisarem a situação, ele ganhou uma punição de 5
segundos. Nem mesmo a colaboração do companheiro de equipe, que deu passagem
numa boa cada vez que a equipe solicitou, fez ele alcançar o Vettel até o final
da prova. Menos mal que ao final reconheceu o erro. Já Bottas não esteve em um
dia inspirado, não se entendeu com os jogos de pneus que usou após o da
largada, chiou muito de sobreesterço, e ao final deu para entender a cara de
prisão de ventre que ele mostrou no pódio
Em 5º chegou Daniel Ricciardo, em mais um bom resultado para
seu Red Bull. No começo da prova ele estava bem, conseguia ter os ponteiros em
sua “alça de mira”, mas depois começou a ter problemas com os pneus, que
demoravam para atingir a temperatura ideal e quando atingiam não davam a
aderência esperada. Lutou bastante com o carro, e o resultado foi merecido. Seu
companheiro Max Verstappen (18º) abandonou após o que ele disse ser um problema
de freios... eu acredito que tenha sido praga de torcedor brasileiro, afinal,
segundo o jovem e chiliquento holandês, ele teria sido prejudicado pelo Massa
em sua volta rápida no Q3. Após a classificação, reclamou fortemente do Massa e
quando perguntado se iria conversar com o Felipe a respeito disse que “ele é
brasileiro, então não tem muito o que discutir”. Bom, não me consta exatamente
que a Holanda seja um grande celeiro de pilotos famosos, então claro que a
notícia veiculada por essas bandas de cá não rendeu muitos elogios ao garoto.
Aliás, acho que os nomes de maior destaque do automobilismo holandês estão no
Rali Raid, categoria caminhões, embora vivam tomando ralo dos russos da Kamaz. Enfim,
vamos ver até onde isso vai.
Em 6º chegou Felipe Massa, no melhor resultado que o carro
que tem nas mãos poderia propiciar. Foi bom ver novamente um Felipe combativo,
disputando posições com carros mais fortes, chegou mesmo a estar em 4º lugar.
Para a 4ª força do campeonato, é um desempenho acima da média. Até mesmo largar
bem ele largou – e esse não é o “fundamento” no qual o Massa se dá melhor.
Pode-se dizer que estava em um bom dia, até dedicou o desempenho ao criador da
equipe, Frank Williams, que completou nesse domingo 75 primaveras do hemisfério
Norte. Seu companheiro Lance Stroll (17º) abandonou após tocar-se com Sainz Jr.
Nem comentarei nada sobre a batida, não merece...
Em 7º chegou Sérgio Pérez, que fez uma corridaça largando de
18º lugar. Largou muito bem, ganhando 5 posições na primeira volta, e depois
continuou com um ritmo forte até o final da prova. Um dos melhores pilotos da
corrida de hoje. Seu companheiro Esteban Ocon (10º) fez a alegria da equipe ao
conquistar um solitário pontinho para a equipe – e sabemos que ao final do ano
esse pontinho pode fazer uma bela diferença. Largou bem, mas depois se
atrapalhou quando o safety-car foi acionado.
Em 8º chegou Romain Grosjean, conquistando mais um belo
resultado para a Haas, que parece ter feito um carro bem decente esse ano.
Vamos ver se mais adiante eles conseguem evoluir o carro para não ficar naquela
situação do ano passado, quando no começo da temporada o carro andava bem e
depois com a falta de evolução foi paulatinamente piorando. Seu companheiro
Kevin Magnussen (19º) classificou muito mal, mas vinha apresentando um bom
desempenho até o carro apresentar problema na 9ª volta.
Em 9º chegou Nico Hülkemberg, pela primeira vez na temporada
na zona de pontuação. Arrancou tudo o que conseguia de desempenho do seu
Renault, e pode considerar esses dois pontos que recebeu como uma vitória – já que
o carro deixa a desejar. Seu companheiro Jolyon Palmer (13º) foi o último a
receber a bandeirada. Previsível.
Próxima corrida será em Sochi, pista onde os carros desse novo
regulamento devem propiciar um belo espetáculo. A conferir.
Mas nem só de F-1 viveu o final de semana. Tivemos em
Silverstone a rodada dupla de abertura do campeonato da World Series, com a boa
notícia que o Pietro Fittipaldi já consegue domar com segurança um carro de 650
cavalos como o da categoria, vencendo as duas etapas (a do sábado e a do
domingo)... o que pesa contra – no meu entender – é que nunca vi uma categoria
com tanto piloto desconhecido. Espero que o garoto aproveite bem esse ano para
entender o carro, conhecer as pistas europeias, para ano que vem ir para a F-2
enfrentar pilotos de verdade, pois o plantel da World Series é de lascar...
E por falar em F-2, começou no Bahrein a temporada de 2017
com apenas um brasileiro participando. Na corrida do sábado (a “prova longa”) o
Sergio Sette Câmara fez uma corrida discreta, terminando em 12º lugar. Já no
domingo, logo na largada ele se envolveu em um entrevero na “zona do tiroteio”
e teve um pneu furado. Até veio acelerando forte depois, mas não conseguiu
passar de um fraco 18º lugar. Agora é torcer por melhor sorte na próxima
corrida...
Também em Silverstone começou a temporada 2017 do WEC, e o
argentino José Maria “Pechito” López já se encarregou de mostrar a resistência
estrutural do novo carro da Toyota, acertando com força a barreira de pneus da
curva Copse. Foi levado ao hospital para exames, mas felizmente nada de errado
aconteceu com ele, foi apenas o susto. A vitória das 6 Horas de Silverstone
ficou com o Toyota nº 8 do trio Davidson/Nakajima/Buemi, que fez belas disputas
durante a corrida com o trio Bamber/Bernhardt/Hartley, no Porsche nº 2 (que
terminou em 2º lugar). Mais atrás, em 3º lugar, chegou o Porsche nº 1 pilotado
por Jani/Lotterer/Tandy. Na categoria LMP2 tivemos brasileiro no pódio, com o
carro do trio Prost/Senna/Canal terminando em 2º lugar na classe. Já o carro em
que estava Nelsinho Piquet teve menos sorte, se envolvendo em acidente e
terminando a corrida em 9º lugar na LMP2. Na LMGTE-Pro mais um brasileiro no
pódio, dessa vez no degrau mais alto, com a vitória do Ford GT pilotado por
Andy Priaulx/Pipo Derani/Harry Tincknell. Infelizmente o Aston Martin em que
estava Daniel Serra, acompanhado de Darren Turner e Jonathan Adam, sofreu uma
batida quando entrava nos boxes para um dos pit-stops e perdeu duas voltas.
Acabou apenas em 7º na categoria, mas tinha potencial para resultado muito
melhor.
Por fim, também começou a F-3 Europeia, etapa disputada em
Silverstone, num complicado esquema de 3 corridas por etapa, com as estreias de
dois sobrenomes ilustres: Mick Schumacher e Pedro Piquet. Mick foi 7º na
primeira corrida, 6º na segunda e não pontuou na 3º. Já o brasileiro foi 9º na
primeira, 18º na segunda e 11º na terceira, conquistando pontuação apenas na
primeira prova.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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