Olá leitores!
Confesso que gosto muito quando queimo a língua em minhas
previsões. Algumas etapas atrás vaticinei que não acreditava que Nico Rosberg
tivesse força mental suficiente para ser campeão do mundo nessa temporada, em
que pese tivesse excelentes chances. Muito bem, nesse domingo não foi apenas
minha querida Sociedade Esportiva Palmeiras que se sagrou campeã. Algumas horas
antes o filho do grande Keke Rosberg, um dos pilotos que mais dava prazer de
assistir pilotar, com um estilo muito arrojado, o Nico Erik Rosberg, nascido na
Alemanha mas que viveu praticamente sua vida toda em Mônaco (daí a falta de
identificação da torcida alemã com ele, a mesma torcida que considera Vettel um
garoto do elitista meio universitário e via Michael Schumacher como “um de nós”,
com quem seria possível tomar uma caneca de cerveja no balcão do bar),
sagrou-se campeão com uma pilotagem um pouco fora dos seus padrões. A ultrapassagem
dele sobre o Verstappen para recuperar o 2º lugar foi digna do outro Nico, o
Hülkemberg, ou mesmo do seu pai. E no final da prova, quando Hamilton resolveu
utilizar a “tática Villeneuve” para atrapalhar o alemão, seu sangue frio foi
admirável. Em tempo, “tática Villeneuve” se refere à vitória do Gilles
Villeneuve no GP da Espanha de 1981, disputado em Jarama, onde com o horrível
Ferrari 126 CK (um carro ruim de curvas, com um turbo lag considerável na saída
mas com boa velocidade final depois que o turbo entrava em ação) segurou 4
adversários atrás de si no terço final da prova de tal maneira que o diretor de
prova deu a bandeirada para 5 carros de uma só vez, separados por 1 segundo, em
uma das mais memoráveis atuações do genial canadense – e que foi a última
vitória do eterno Gilles, até hoje meu ídolo maior na F-1.
Vitória merecida (claro) do Lewis Hamilton, que quando
percebeu que apenas acelerar tudo não era suficiente para ter chances de ser
campeão partiu para a filosofia do “no amor, na guerra e na disputa do título
vale tudo”. Não fez nada ilegal, também não diria imoral pois não tentou tirar
ninguém da prova, apenas utilizou-se de uma estratégia pouco convencional no
final – e que não funcionou. De qualquer maneira, não foi aqui que ele perdeu o
título, foi naquelas corridas lá atrás onde não teve o resultado que esperava.
Seu companheiro Rosberg (2º) precisava apenas chegar em 3º para ser campeão,
mas não quis dar chance para o azar e manteve Lewis em sua alça de mira.
Parabéns pelo título, que fecha com chave de ouro uma temporada na qual correu
com muita maturidade.
Em 3º chegou Sebastian Vettel, encerrando um jejum de 6
corridas sem subir ao pódio, e que (finalmente) não foi atrapalhado pela equipe
em parada nos boxes, estratégia ou pura e simplesmente pela falta de rendimento
do carro. Esperemos que esse bom desempenho da última corrida do ano se reflita
em um desempenho ainda melhor no ano que vem, com novo regulamento e novo
chassis, já que o desse ano aqui foi bem abaixo do que se espera de uma equipe
com os recursos da Ferrari. Se o carro fosse menos ruim, daria para se
intrometer na briga particular das Mercedes no final, mas como consolo fez uma
belíssima ultrapassagem sobre Verstappen para assumir o terceiro posto. Seu
companheiro Kimi Räikkönen (6º) poderia ter chegado em uma posição melhor, mas
sofreu a prova inteira para manter os pneus em boas condições. Outro que está
agradecendo enormemente o final da temporada...
Em 4º e 5º lugares chegaram os carros da Red Bull,
respectivamente Max Verstappen e Daniel Ricciardo. Max fez uma corrida
excelente, considerando que não largou exatamente bem e teve um toque com
Hülkemberg na primeira curva, caindo para último lugar. Disputou posições com
Rosberg, com Vettel, com Kimi, o garoto estava inspirado nesse domingo. Seu
companheiro Daniel se atrapalhou com a estratégia, mas também não fez uma má
corrida não, apenas não conseguiu ser tão exuberante quanto o jovem holandês.
De qualquer maneira, terminou o ano como o melhor dos “Não Mercedes” do
campeonato, um 3º lugar muito consistente e merecido no campeonato de pilotos.
Em 7º e 8º lugares chegaram os carros da Force India,
respectivamente Nico e Sergio, colocações que carimbaram a equipe como a 4ª
melhor no campeonato, atrás apenas de Mercedes, Red Bull e Ferrari, todas com
orçamentos MUITO melhores que os indianos. Nico Hülkemberg, em sua corrida de
despedida da Force India, que foi seu porto seguro nos últimos anos quando as
equipes de fabricantes insistiam em não enxergar seu enorme talento (ano que
vem estará na Renault), agradeceu muito a todos na equipe, que fez uma bela
festa para ele, quase que como uma forma de compensar a corrida solitária (e
monótona, presumo eu...) dele, já que não tinha como chegar no 6º lugar e não
era ameaçado pelo companheiro Sérgio Pérez. Pérez, por sinal, não conseguiu
pressionar o alemão mas teve no final a tarefa de segurar Massa, que em sua
última corrida queria o melhor resultado possível com o Williams, e segurou com
maestria.
Em 9º lugar terminou Felipe Massa, que fez uma bela corrida.
Disputou posição com o companheiro Bottas, vencendo o duelo, no final da prova
estava entretido entre atacar Pérez e disputar com Alonso, ao final das contas
não conseguiu muitos pontos mas foi uma corrida divertida. Seu companheiro
Valtteri Bottas (21º) abandonou após uma falha mecânica, provavelmente
suspensão.
Fechando a zona de pontuação chegou Fernando Alonso, mais
uma vez tirando leite de pedra para fazer a McLaren pontuar. Vamos ver se com o
regulamento do ano que vem a equipe deixa de figurar no pelotão do fundão...
seu companheiro Jenson Button, na sua corrida de despedida, abandonou por um
problema preocupante: quebra da suspensão dianteira no momento da freada... um
piloto menos experiente, em uma pista com áreas de escape menos generosas,
teria tido um acidente razoável, ainda bem que tudo terminou bem.
A título de curiosidade, Rosberg é o segundo filho de
campeão mundial a levar o caneco para casa, mas o primeiro cujo pai presenciou
ele ser campeão, já que Graham Hill morreu quando Damon Hill ainda era criança.
Agora é aguardar as (espero...) boas novidades que a
temporada 2017 nos trará, torcendo efusivamente para que Felipe Nasr (que nesse
domingo até que fazia uma prova razoável com sua biga, digo, sua Sauber, até se
enroscar com Estaban Ocon, da Manor, terminando a prova em 16º, apenas à frente
do pior piloto do grid e talvez da história da categoria, Jolyon Palmer)
consiga um carro para pilotar ano que vem. Não tem muito dinheiro, mas tem a
torcida e influência do Titio Bernie, vamos ver o quão influente o Mau Velhinho
ainda é na categoria...
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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