A Seleção
Brasileira está fora de mais uma competição oficial. Desclassificada pelo Peru,
mesmo com um gol irregular; a seleção, mais uma vez, coloca um episódio triste na
lista de vexames de sua história. Aliás, já disse, mas repito: “estão destruindo a
história da Seleção Brasileira”. Daqui para frente não haverá mais tabus,
vergonhas; feito inédito. Tudo será tão normal em sua ruindade, que não teremos
mais tempo para reclamar, xingar ou chorar. Acabou também o patriotismo. A seleção
brasileira do futebol maravilhoso não me representa. Não se representa. Tem,
cada dia mais, não representando nada. O futebol brasileiro morreu. Não está
doente, morreu mesmo.
Foi uma morte
anunciada. Temos inúmeros motivos que explicam o fim do futebol arte. Do futebol
competitivo. Simplesmente do futebol. O fim do futebol que era idolatrado pelo
mundo. Alguns motivos são claros e lógicos, outros discutíveis. Passa pelos
dirigentes, jogadores, treinadores e quem patrocina o futebol. Tudo que está
errado no futebol brasileiro não tem um inimigo externo. Desde a formação,
comportamento; cultura e a própria condição dos torcedores, que são os verdadeiros
mandatários do negócio futebol. Passa pela própria constituição social,
educacional e moral. Temos nos jogadores, assim como nos políticos; a
representação fidedigna daquilo que nos, como brasileiro, mais ostentamos. Estamos
em situação pior daquele que vivíamos há tempos, não temos mais complexo de
vira-latas.
Vivemos sim a
soberba. A soberba que carregamos no peito, com estrelas de campeão mundial que
nenhuma outra seleção conseguiu chegar. Carregamos no peito a história dos
craques do passado, ou simplesmente o maior deles: Pelé. Carregamos a desculpa
da derrota num punhado de dólares, negociados momentos antes das partidas, como
se nossa queda só fosse possível por meios imorais. Perdemos em 82 pois nós nos
vendemos. Perdemos na convulsão do Ronaldo por causa da patrocinadora. E todas
essas bobagens de teorias que jamais serão comprovadas. Pois para muitos,
até então, o Brasil só perdia em campo para ele mesmo.
A verdade
demorou, mas chegou. Hoje sabemos que o futebol tem lá suas particularidades. Perder
ou ganhar faz parte do negócio. O mundo do futebol se prepara para isso. Evoluí,
planeja e executa. Apenas o país do futebol acreditava que nada precisava ser
feito. Que o futebol nasce em cada esquina, em cada moleque descalço; em cada
brincadeira no recreio da escola. Acontece que não tem mais esse moleque, não
temos mais essa paixão; não somos mais o país do futebol. É duro aceitar, mas o
futebol brasileiro começou a morrer na Copa da Espanha, quando decidimos que os
resultados eram mais importantes que o próprio jogo. Que o “vencedor” ganha
sempre. E com essa mentalidade não encontramos soluções para o nosso futebol “perdedor”
de agora, pois não queremos outra coisa senão ganhar.
Já se foram três
técnicos, contando com Dunga, que provavelmente não ficará mais nenhum dia. E
com esses técnicos, inúmeros jogadores. Mas aquilo que realmente choca quando
falamos da seleção, nem é a opção medonha de ter o Dunga como o inovador da
seleção; mas de termos um amontoado de jogadores que nada representam o futebol
brasileiro. Você pergunta: mas afinal, o quê é o futebol brasileiro? Eu respondo
que é tudo ao contrário daquilo que estamos vendo nos últimos anos, na seleção,
nos clubes e nas escolinhas de futebol.
Aquele futebol
brasileiro precisa renascer, mas está cada dia mais longe essa gloriosa hipótese.
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