Entre tantas coisas na Copa do Mundo,
uma me chamou atenção. Não há qualquer relação com o futebol dentro de campo,
mas o comportamento dos torcedores. No último jogo do Brasil, contra o Chile,
um fato está sendo criticado como uma das nossas piores marcas: a vaia ao hino
nacional chileno. É claro que, num primeiro momento, parece tão óbvio que
faltou educação aos torcedores que estavam no estádio. Mas, numa análise mais
fria dos acontecimentos; podemos tirar algumas lições: será que devemos
condenar assim aquela parcela que estava representando os brasileiros?
Vamos por partes:
É conhecido que a torcida brasileira
anda criando um modo muito curioso de torcer. Se não existe uma unidade desses
torcedores durante o jogo, vemos que a grande massa apoia e se sensibiliza
quando o hino nacional toca. A mania brasileira da capela passou a ser marca
registrada. Chegamos, em alto e bom som - mesmo com o encerramento da parte
instrumental exigido pela FIFA - até a última palavra da primeira parte do
hino: Pátria amada, Brasil! Um coro de torcedores, comissão técnica e jogadores
mostram que estamos em maior número, em nossa casa. Se está dando certo ou não,
não é motivo dessa discussão. O que eu quero dizer é que o hino em capela é
coisa de torcedor, de quem está no estádio; quem torce pelo time de futebol;
mesmo que este se apresente como um selecionado.
Tinha escutado alguns jornalistas
comentando sobre a presença dos torcedores sul-americanos, e como eles,
diferente da torcida brasileira; estavam mais integrados à sua seleção. No dia
do jogo do Brasil o comentário era: os brasileiros serão educados no momento do
hino, mas temo a repercussão quando se iniciar a capela. Foi ai que eu decidi
prestar atenção quando tocou o hino chileno: Não houve qualquer vaia, qualquer
manifestação de desrespeito enquanto a parte instrumental e os torcedores
cantavam: o protocolo estava sendo cumprido à risca. As vaias começaram quando
a torcida, tal qual a torcida brasileira; quis que o hino chegasse até uma
determinada parte, em capela. E relação ao acontecimento: a vaia cidadã não
existiu, mas a vaia ao adversário, sim.
É certo que eu ainda não tenho um
conceito formado em relação aos selecionados nacionais: Onde começa e onde
termina a relação patriótica. A seleção de cada país, antes de tudo, é um time.
É uma equipe que carrega todos os itens do jogo de futebol. O adversário a ser
batido é idêntico ao adversário das agremiações. As regras, a ética própria; os
torcedores. Na maioria das vezes eles agem e se comportam como um torcedor
normal; mas com um quesito diferente: as cores do país. Mas isso é o comum, o
corriqueiro; minha sensação.
Se as vaias feriram não apenas os
torcedores chilenos, mas a nação representada dentro do estádio; podemos
considerar que foi um erro dos mais graves cometidos pelos torcedores
presentes. Deveríamos aceitar que do outro lado, os torcedores carregam de
forma tão intensa, ou ainda maior; o amor pelo selecionado, que naquele momento
está representando uma nação. Deveríamos esperar que o hino em capela
terminasse, apoiado em nosso silêncio, e aplausos ao término da cerimonia cívica.
Mas, se as vaias não foram para a nação;
mas uma maneira de inibir a torcida – que mesmo em número menor, era tão
importante quanto a brasileira no sentido de apoio à equipe – acho que não há
uma condenação tão justa como estamos vendo. As vaias eram para o adversário,
como palmeirenses vaiam corintianos; flamenguistas os vascaínos. A vaia não
deveria ser tão criticada, mas deveríamos pontuar que houve o silêncio e o respeito
durante o hino, como tem acontecido em todas as partidas da Copa do Mundo.
A discussão não termina aqui, pois o
item principal da discussão eu ainda não consegui decifrar: Até que ponto a
seleção representa uma nação?
Um comentário:
Bom, eu não sabia do ocorrido, mas, acredito que quase tudo que acontece dentro dos limites do estádio/arena deve ser colocado dentro da perspectiva da arquibancada. Se houve vaia essa provavelmente foi direcionada à torcida do time chileno que tentava se apropriar do grande e talvez único momento da torcida brasileira nos jogos; o famigerado hino a capela.
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