Demorou, mas, voltei. E pronto
pra mais uma temporada de muito futebol e bate papo nesse espaço. Estaduais,
Brasileiro, Copa do Mundo, etc. O ano de 2014 será cheio de futebol, pra quem
gosta e, para aqueles que não gostam... bem, sempre existe alguma ilha paradisíaca no sul
do Pacífico esperando pela sua visita. Feitas as saudações, como diria Odorico
Paraguaçu, vamos deixar de lado os
entretanto e partir logo pros finalmente.
Acabo de ler que o atacante
colombiano Falcão Garcia, provavelmente, ficará de fora da Copa do Mundo em
razão de uma lesão ocorrida num jogo da Copa da França, entre o seu time, o
Monaco e o Chasselay, clube das divisões inferiores. A ruptura dos ligamentos do joelho do atacante
ocorreu num carrinho do defensor adversário Ertek já no final do match, como o leitor pode conferir aqui. Confesso que assisti ao lance
repetidas vezes, em diferentes ângulos de câmera e não vi nada de mais. Nenhuma
rusga de maldade ou canalhice do defensor que pudesse taxá-lo como vilão. Foi
um carrinho, ou como diriam os ingleses, um slide
tackle¸ proferido corretamente, por baixo, dentro das regras. Se não me
falha a memória, o lance não valeu nem um cartãozinho amarelo para o zagueiro. Segundo as regras do tal do Fair Play, foi um
lance normalíssimo. Talvez, seja esse, meus caros, o grande problema da história.
O carrinho, independentemente da
intenção do defensor, é uma jogada perigosíssima e com resultados imprevisíveis.
Durante anos os “cardeais da bola” debateram o que seria um bom carrinho,
aquele normal do jogo, do carrinho maldoso, que poderia causar lesões aos
atacantes. Ao final, decidiram que nada precisava ser alterado e que o único
lance a ser coibido seria o carrinho aplicado por trás no adversário. Reparem
que no caso do Falcao Garcia o carrinho foi aplicado pelo lado, ou seja, dentro
da regra. Isso demonstra o tipo de preocupação que as autoridades do esporte têm
com a segurança do jogo e a preservação de seus maiores estrelas. O carrinho é
uma jogada desnecessária e, na minha opinião, não deveria fazer parte do jogo
de futebol.
?E é possível abolir o carrinho
do jogo de futebol? Claro que sim. Os jogadores profissionais, nos dias atuais,
são mais rápidos, mais fortes e mais atléticos que há trinta anos atrás, além
disso, a bola, o gramado e as regras de reposição tornaram o jogo mais
dinâmico. O carrinho é hoje o resquício de uma forma antiquada de jogo. A
maioria dos times joga numa marcação por zona, com um jogador na sobra, ou
seja, sempre há ao menos um jogador em condições de defender a jogada. Ademais,
reparem, o carrinho, mesmo quando bem sucedido, não garante a retomada da posse
de bola. Enfim, é uma jogada desnecessária e devastadora quando atinge o
adversário.
A discussão sobre o carrinho
deveria ter sido encarada com mais seriedade há muitos anos atrás, mas, como
tudo que não gera receita aos cofres das federações, foi arquivada. Por ora,
azar do Falcão Garcia que não jogará Copa do Mundo após passar mais de 02 anos
em jogos eliminatórios tentando levar a seleção de seu país de volta ao
Mundial, por conta de uma jogada que as autoridades do jogo recusam-se a
abolir. O defensor Ertek, por sua vez, remoído pela culpa, terá que buscar o
perdão por um crime que sequer cometeu. Um crime sem culpados, mas, como uma
vítima já bem conhecida; o nosso bom e amado futebol.

Nenhum comentário:
Postar um comentário