quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Carrinho sem freio



Demorou, mas, voltei. E pronto pra mais uma temporada de muito futebol e bate papo nesse espaço. Estaduais, Brasileiro, Copa do Mundo, etc. O ano de 2014 será cheio de futebol, pra quem gosta e, para aqueles que não gostam... bem,  sempre existe alguma ilha paradisíaca no sul do Pacífico esperando pela sua visita. Feitas as saudações, como diria Odorico Paraguaçu, vamos deixar de lado os entretanto e partir logo pros finalmente.

Acabo de ler que o atacante colombiano Falcão Garcia, provavelmente, ficará de fora da Copa do Mundo em razão de uma lesão ocorrida num jogo da Copa da França, entre o seu time, o Monaco e o Chasselay, clube das divisões inferiores.  A ruptura dos ligamentos do joelho do atacante ocorreu num carrinho do defensor adversário Ertek já no final do match, como o leitor pode conferir aqui. Confesso que assisti ao lance repetidas vezes, em diferentes ângulos de câmera e não vi nada de mais. Nenhuma rusga de maldade ou canalhice do defensor que pudesse taxá-lo como vilão. Foi um carrinho, ou como diriam os ingleses, um slide tackle¸ proferido corretamente, por baixo, dentro das regras. Se não me falha a memória, o lance não valeu nem um cartãozinho amarelo para o zagueiro.  Segundo as regras do tal do Fair Play, foi um lance normalíssimo. Talvez, seja esse, meus caros, o grande problema da história.

O carrinho, independentemente da intenção do defensor, é uma jogada perigosíssima e com resultados imprevisíveis. Durante anos os “cardeais da bola” debateram o que seria um bom carrinho, aquele normal do jogo, do carrinho maldoso, que poderia causar lesões aos atacantes. Ao final, decidiram que nada precisava ser alterado e que o único lance a ser coibido seria o carrinho aplicado por trás no adversário. Reparem que no caso do Falcao Garcia o carrinho foi aplicado pelo lado, ou seja, dentro da regra. Isso demonstra o tipo de preocupação que as autoridades do esporte têm com a segurança do jogo e a preservação de seus maiores estrelas. O carrinho é uma jogada desnecessária e, na minha opinião, não deveria fazer parte do jogo de futebol.

?E é possível abolir o carrinho do jogo de futebol? Claro que sim. Os jogadores profissionais, nos dias atuais, são mais rápidos, mais fortes e mais atléticos que há trinta anos atrás, além disso, a bola, o gramado e as regras de reposição tornaram o jogo mais dinâmico. O carrinho é hoje o resquício de uma forma antiquada de jogo. A maioria dos times joga numa marcação por zona, com um jogador na sobra, ou seja, sempre há ao menos um jogador em condições de defender a jogada. Ademais, reparem, o carrinho, mesmo quando bem sucedido, não garante a retomada da posse de bola. Enfim, é uma jogada desnecessária e devastadora quando atinge o adversário.

A discussão sobre o carrinho deveria ter sido encarada com mais seriedade há muitos anos atrás, mas, como tudo que não gera receita aos cofres das federações, foi arquivada. Por ora, azar do Falcão Garcia que não jogará Copa do Mundo após passar mais de 02 anos em jogos eliminatórios tentando levar a seleção de seu país de volta ao Mundial, por conta de uma jogada que as autoridades do jogo recusam-se a abolir. O defensor Ertek, por sua vez, remoído pela culpa, terá que buscar o perdão por um crime que sequer cometeu. Um crime sem culpados, mas, como uma vítima já bem conhecida; o nosso bom e amado futebol.   

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