domingo, 14 de abril de 2013

Pé no Fundo na China



Olá leitores!

Nas brumas de Xangai (a névoa de poluição no ar lembrou-me das inversões térmicas de Santo André nos anos 70 e do ar de Cubatão nos anos 80) tivemos uma corrida baseada em estratégias de consumo de pneus. Basicamente, uma corrida chata. Em alguns momentos, muito chata. O maior esforço foi tentar acompanhar a real posição de cada piloto com base na estratégia em que ele estava. Em alguns momentos, até o Live Timing do site da F-1 parecia estar confuso.

Alonso venceu com relativa tranquilidade. Aproveitou-se da largada pouco inspirada de Räikkönen para pular na frente, logo atrás de Hamilton, que assumiu momentaneamente a liderança, mas já no começo da 2ª volta assumiu a liderança. Ele até chegou a receber alguma pressão do Massa, mas após a primeira rodada de trocas de pneus teve apenas de administrar seu ritmo de corrida. Como diriam antigamente, deu até para botar o pijama e as pantufas. Seu companheiro Massa (6º lugar) até passou a impressão que faria uma boa corrida com o primeiro jogo de pneus (o mesmo usado na classificação), mas após o primeiro pit-stop o desempenho caiu acentuadamente. O fato de ter voltado da parada no meio do tráfego também não ajudou. Quase chegou a lembrar o Massa da primeira metade da temporada de 2012. Depois da corrida, reclamou muito da granulação dos pneus dianteiros.

Em 2º chegou Räikkönen, numa posição que foi um prêmio após ter perdido 2 posições logo na largada e ter a ponta do bico quebrada pelo Perez após a primeira troca de pneus. A equipe optou por manter o bico quebrado, o carro não perdeu sensivelmente o desempenho, e no fundo parece que foi a estratégia correta. Seu companheiro Grosjean (9º lugar) não parece nem sombra do rápido piloto de 2012. Largar em 6º e terminar em 9º não é o que se possa chamar de um desempenho brilhante. Outro que culpou os pneus pela perda de rendimento.

Em 3º chegou o Hamilton, em seu segundo pódio pela nova equipe. Como a única vitória da Mercedes em sua volta a categoria aconteceu na China, e ele foi bem na classificação, existiam grandes esperanças para essa corrida. A proverbial perda de desempenho da Mercedes em ritmo de corrida se manifestou, mas ainda assim o talentoso inglês conseguiu uma boa posição na corrida. Nas últimas voltas resistiu bravamente aos ataques do Vettel, que estava com pneus macios e muito mais rápido na pista. Literalmente a boa velocidade máxima da Mercedes fez a diferença. Seu companheiro Rosberg (19º) teve muitos problemas no carro e abandonou após 23 voltas.

Em 4º chegou o Vettel. A equipe até tentou uma estratégia diferente, não registrando tempo no Q3 para largar com pneus médios e deixar um jogo de macios (muito rápidos, mas com reduzida durabilidade) para o final da corrida, mas não funcionou como eles queriam. OK, ele ainda é o líder do campeonato (52 pontos contra 49 de Räikkönen, o 2º na tabela), mas o carro nitidamente não é tão dominante como nas últimas temporadas. Foi um dos diversos investigados pelos comissários sob a alegação de utilização da asa móvel fora da área específica para isso. Seu companheiro Webber (20º) teve um daqueles finais de semana em que rigorosamente nada deu certo: no Q2 teve “problemas de alimentação de combustível” (segundo a versão oficial). A equipe resolveu mexer no carro, trocando o câmbio e alterando o acerto do carro, fazendo com que ele largasse dos boxes, em último lugar. Deu uma volta com os pneus macios, voltou, trocou pelos médios e foi à luta... ou tentou. Na 16ª volta se enroscou com o Vergne. Aí, na troca de pneus seguinte, o mecânico responsável por apertar a porca que prende a roda não a fixou corretamente, e ele foi ultrapassado pela própria roda na penúltima curva do circuito. Era melhor ter ficado no hotel...

Em 5º terminou Button, outro que ficou jogando com a estratégia de pneus para conseguir um resultado aproveitável com um carro de projeto pouco inspirado. É um carro que consome pouco os pneus, mas em compensação não acompanha os líderes. Complicado. Seu companheiro Pérez (11º), longe do desempenho apresentado na Sauber ano passado, apareceu ao bloquear o caminho do Kimi e quebrar o bico do carro dele. Muito pouco.

Em 7º chegou o Daniel Ricciardo, com a Toro Rosso, marcando seus primeiros pontos na temporada. Para um piloto que sonha em ocupar uma vaga na equipe principal (a Red Bull), sempre é importante pontuar, e ele correu com inteligência. Inteligência que faltou ao seu companheiro Vergne (12º) ao fechar o caminho do Webber e ter seu carro danificado. As laterais do F-1 estão – por regulamento de segurança – tão altas que ainda vão ter que importar do automobilismo americano a figura do “spotter”, o cara que fica falando para o piloto nos ovais por onde estão tentando o ultrapassar, já que pelo jeito os espelhos retrovisores são mais um ítem estético que qualquer outra coisa.

Em 8º chegou o Di Resta, outro que teve um resultado muito bom após passear pela grama no começo da corrida e passar boa parte da prova disputando posições com outros pilotos. Seu companheiro Sutil (21º) teve de abandonar a prova após ser alvejado por um míssil Gutiérrez na freada do Hairpin, em um dos momentos bizarros da corrida. Se fosse comigo, mandaria a conta do conserto para a Sauber...

Em 10º chegou o Nico Hülkemberg, um pontinho com um certo gosto amargo na boca, afinal ele chegou a liderar a prova graças à estratégia de pneus diferente dos líderes, mas quando se está numa equipe como a Sauber não dá para rejeitar qualquer ponto que se faça. Seu companheiro Gutiérrez  perdeu o ponto de freada do Hairpin e estampou a traseira do Sutil, acabando com a corrida dos dois. Foi punido com a perda de 5 posições no grid de largada para a próxima corrida.

Falando em próxima corrida, será no próximo final de semana, no Barhein. Aparentemente a situação política está sob controle, e não devem ter grandes empecilhos para a realização da corrida. Como é um Tilkódromo onde as mágicas do atual regulamento ainda não foram testadas, é o tipo de corrida onde tudo pode acontecer. Se for um pouquinho só mais emocionante que as etapas anteriores já está louco de bom, pois as provas costumavam ser MUITO chatas.

Até a próxima!

Alexandre Bianchini

Um comentário:

Claudio Ceregatti disse...

Amei!
Vai treinando que vais escrever pra outra categoria ano que vem...