terça-feira, 13 de março de 2012

Venceu prazo

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Acabou! Fim! Virada de página. Adriano estréia pelo Corinthians na primeira página: ele está fora. Os números impressionam. Numa conta numérica são quatro milhões por dois gols. Numa conta geométrica a perda de um possível ídolo. Adriano tinha tudo para ser admirado pela torcida, mas deu azar. Mais do que azar, deu bobeira. Vai saber o que rola na cabeça do sujeito, vai saber qual a conversa que os dirigentes tiveram nesses últimos doze meses: o papo não serviu para ninguém e o maior prejudicado foi o clube.

Dizem que o problema é mais sério do que se pensa. Pode ser. Não duvido no picadeiro. O pior investimento é aquele “que parece” render, mas não rende. O futebol tem um pouco desse negócio de esperança. Adriano era mantido no clube exatamente pelo potencial: para o bem. O potencial para o mal não era levado em consideração, mas todos sabiam que existia. O que fazer com a jogada de marketing que não deu certo? Ronaldo vendia camisa mesmo não estando em campo, vende até hoje. Adriano precisava mostra mais do que os dois gols para ficar marcado na história do clube.

A notícia é que ele anda ensaiando a ida para outro clube. Vai para o Flamengo? Existe uma chance. E pior ainda para o Corinthians: também é notório que ela vá render mais no clube carioca do que no paulista. Exatamente por existir maior identificação, maior paixão e maior cumplicidade entre o Flamengo e o Adriano. Ronaldo fez com o Flamengo o que o Adriano fez com o Corinthians, só que um prejuízo monetário maior para o clube paulista.

É claro que estou jogando uma suposição muito positiva, a de que Adriano volte a jogar futebol. Pois, pelo que parece, é necessário mais do que amor e identificação do jogador para que ele volte a ser um profissional, é preciso ajuda. Ajuda que ele deve ter dito no Corinthians, com psicólogos, nutricionistas e etecetara. O jogador de futebol brasileiro é muito mimado, idolatrado e cheio de dengo. Demos ao Adriano uma valorização maior do que ele merecia, pelo menos na demonstração do que ele fez em campo.

O resumo da passagem do jogador pelo clube era carta marcada: mas a contusão deu maior ênfase à tragédia. Se ele não tivesse nenhum problema físico, possivelmente hoje também estaria fora do clube; mas teria rendido mais. A suposição é essa: ele jogando ou não, não era a cara do clube; não se identificou com ele. Como não se identificou por nenhum clube que passou, nem pela torcida; nem pela história e nem pela vontade de ganhar. Adriano teria arrumado algumas duas ou três desculpas para hoje pensar em outro clube.

O sonho do Adriano como um ídolo não é longínquo. Pode perdurar um pouco mais nas praias cariocas, com o rubro-negro no peito; mas não será para sempre. Ídolo perecível, pois sua garra; vontade ou desejo pelo futebol é muito vago. E não é por causa do dinamismo do futebol, que pinta as cores dos jogadores a cada rodada; mas uma coisa interna, intransferível. Se os jogadores não se apegam muito aos clubes, por causa do excesso mundo dos negócios, Adriano se entrega menos ainda; por motivos que ninguém sabe explicar direito.

Uma coisa é certa: Se é um jogador problema, em nenhum clube o problema dura mais do que um ano.
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2 comentários:

Cesar Augusto disse...

Final lamentável para o Imperador. Faltou comprometimento, faltou vontade de jogar bola, faltou aquele querer provar alguma coisa. Só não faltou o dinheiro, a dedicação da diretoria e da comissão técnica. Acho que faltou até o Gilmar Rinaldi, misto de pai, amigo, empresário e para-raios do Adriano. Muito talento desperdiçado.

Mario disse...

É provável que o Adriano termine a carreira no Bonsucesso.