quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Brasil é o melhor dos piores


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Não ligo para nenhum ranking de qualquer que seja origem. Mas o elaborado pela Fifa sempre merece alguns minutos da nossa atenção. Seja para analisar os dados ou para entender a mirabolante fórmula utilizada. Como é montado o ranking eu não sei, por isso não quero comentar. Mas a posição do Brasil na lista é algo que deve chamar de quem gosta de futebol e é tão fã do esporte praticado pelos brasileiros. Será que ainda somos o país do futebol?

Não é de hoje que estamos longe de uma disputa pelas primeiras colocações. Depois de tantos anos sem saber o que era ficar fora das três primeiras posições, eis que estamos quase chegando ao pior resultado desde que a lista foi criada. Atualmente estamos na sétima honrosa posição, que, considerando o quanto e como estamos jogando, é um ótimo resultado. Uruguai está na nossa frente e é a melhor posição de uma sul-americana. Das dez primeiras posições, oito seleções européias e duas sul-americanas.

É preocupante a informação. Mostra que a percepção de que o futebol brasileiro está numa das suas piores fases não é uma coisa de sentimentalismo patriótico e síndrome de cachorro vira-lata; é uma coisa estatística e pontual. O futebol brasileiro atualmente não é o melhor do mundo, e se algo não mudar na mentalidade da formação dos nossos jogadores; o fracasso passará a ser uma coisa comum e corriqueira, e resultados como o contra Bósnia não será nenhuma surpresa.

Mas o que deve mudar na mentalidade? Qual a fórmula do sucesso do futebol brasileiro que deixamos para trás em nossa história? Não é uma resposta fácil, nem sabemos se será a certa. O que sabemos e ouvimos é que parte do que estamos vivendo hoje tem uma relação muito próxima com a formação dos jogadores brasileiros. Não é apenas uma questão de técnica, habilidade e forma de jogar bola; mas como as crianças de hoje encaram o futebol, diferente da forma como encaravam antigamente.

São vários itens que podem ser analisados. Desde a expectativa do futuro jogador até a maneira como tratamos esse jogador. A mistura começou quando decidimos que além de ídolos, eles também seriam estrelas no negócio chamado futebol. O espelho dos meninos de hoje estão relacionados a forma como o jogador é dentro e fora do campo, coisa que nem passava pela cabeça de alguém que queria jogar bola em épocas anteriores. Pensam em brincos, em roupas e perfumes: a geração narcisista não é o pecado, o pecado é ainda valorizarmos esses jogadores, mais do que devemos.

Vamos pegar o exemplo clássico hoje, do nosso melhor jogador. Neymar é uma das raras exceções desse futebol sem criatividade que estamos vivendo. Será que ele é tão fantástico assim? Já li e ouvi rumores que Neymar é algo fora de série, como Pelé e outros tantos jogadores que vestiram a camisa da seleção brasileira. Não estamos exagerando com ele ou estamos na verdade perdendo o parâmetro? Ele é um ótimo jogador, com certeza. Neymar e Ganso são os dois melhores jogadores surgidos no Brasil nos últimos dez anos; o que é pouco. Não podemos comemorar o surgimento desses dois craques.

O Brasil perdeu o rumo, infelizmente. Se existe ainda amor pela seleção brasileira, esse amor tem relação estreita com a vergonha: torcemos pelo Brasil para que não sejamos motivo de piada diante do mundo. E se eles ainda respeitam o futebol brasileiro, isso acontece por todos os anos de nossa seleção; por uma questão histórica, não pelo que estamos apresentando.

Não vejo apenas como uma questão de treinador, de diretoria ou de jogadores; o problema é mais sério: é de mentalidade. O futebol chegou num estágio onde ídolos são formados em programas de televisão, campanhas publicitárias e fotos da intimidade dos jogadores em alguma boate ou coisa parecida; mas não pelo que ele faz dentro do campo.
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