Olá leitores!
Chico Landi, o primeiro brasileiro a vencer uma corrida pilotando um carro da Ferrari (GP de Bari, 1948, antes de ser criada a categoria Fórmula 1), contava que certa vez estava em uma roda de pilotos (na época um piloto não tinha a vontade de comer o fígado do adversário com batatas, e existia um grande clima de camaradagem fora da pista) e um jornalista surgiu com a seguinte pergunta: o que é necessário para ser campeão? O italiano Giuseppe Farina disse que era preciso um grande carro. O argentino Fangio disse que um grande carro não vence se não tiver um grande piloto, então esse seria o mais importante. Nesse momento o Chico entrou na conversa e disse que para ser campeão um piloto precisava de três coisas: sorte, boa sorte e muita sorte.
Lembrei essa estória ao final do conturbado GP da Coréia, quando a vitória e a liderança no campeonato caíram no colo do Alonso. Ele teve sorte, boa sorte e muita sorte.
Teve sorte quando a chuva caiu antes da largada em volume suficiente para criar diversas poças de água nas partes mais velozes do circuito, inviabilizando a condução com os carros e – principalmente – com os pilotos de hoje em dia. Teve sorte dos pneus intermediários de Hamilton terem apresentado desgaste anormal. Teve boa sorte quando o Webber, sentindo-se pressionado ao ver o Vettel se afastar após a largada debaixo da chuva, colocou as rodas do carro sobre a zebra e o carro rodou descontrolado, acertando primeiro o muro (onde já se viu uma pista recém projetada e inaugurada ter muros tão próximos à pista sem ser um circuito de rua?) e depois o carro do Nico Rosberg, que vinha com um desempenho inatacável, despachando com facilidade o seu companheiro Michael Schumacher, reconhecidamente bom na chuva. E teve muita sorte quando o motor do Vettel abriu o bico faltando 10 voltas para o final da corrida, deixando livre o caminho para a 5ª vitória do espanhol esse ano. Desse jeito vai ficar difícil impedir o Alonso de conquistar seu 3º título.
Quem conseguiu ficar acordado para ver a prova (que começou efetivamente com 1h42m de atraso, entre carros andando com o safety-car e prova interrompida com bandeira vermelha) teve recompensado o seu esforço, com o piso escorregadio propiciando um festival de rodadas e escapadas de pista, e até mesmo alguns acidentes. Em minha opinião um espetáculo à parte foi a série de comunicações de rádio entre equipe e pilotos. Hamilton queria corrida a qualquer preço, e no que dependesse de Webber a prova teria sido cancelada, pois as informações vindas da pista dos dois pilotos não raro eram diametralmente opostas. Foi legal.
Outra coisa legal foi ver a Mercedes tendo um bom desempenho, até ser alvejado pelo Webber o Rosberg vinha andando forte e o Schumacher terminou a corrida em um bom 4º lugar, repetindo sua melhor classificação esse ano. O Kobayashi teve uma prova conturbada (saiu ileso do ataque do “torpedo” Adrian Sutil, que superestimou sua capacidade de dirigir rápido na chuva) mas ainda beliscou um 8º lugar.
Falando dos brasileiros, o funcionário padrão da Ferrari conseguiu voltar ao pódio com um terceiro lugar; o Rubinho vinha fazendo uma corrida dentro das limitações do carro dele na chuva até que no final os pneus acabaram e ele perdeu duas posições (para Kubica e Liuzzi), terminando em 7º; o Bruno foi um sobrevivente do pelotão traseiro terminando a prova em 14º e o Di Grassi abandonou após bater no muro tentando desviar da chicane ambulante chamada Sakon Yamamoto.
Próxima etapa, GP do Brasil, no Templo Sagrado do automobilismo sul americano, o Autódromo de Interlagos, dia 7 de novembro. Já estão começando as ações promocionais da corrida, incluindo a exibição de carros do acervo do eterno campeão Emerson Fittipaldi em um empreendimento imobiliário no Tatuapé. Se quiserem ver de perto esses carros e outros mais que aparecerão por obra dos patrocinadores, é só ficarem atentos aos jornais.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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