domingo, 26 de setembro de 2010

PÉ NO FUNDO EM CINGAPURA

Olá leitores!

A corrida de Cingapura só não foi mais chata que a de Monza pois em pistas de rua sempre tem alguém para contrariar a escrita. Ou tem um muro. Enfim, a não ser que seja em Mônaco, que o Piquet pai certa vez descreveu como “andar de bicicleta na sala de casa”, as outras pistas acabam sendo menos estreitas e alguém tem alguma chance de fazer alguma coisa. Dessa vez, pontualmente, tivemos algumas coisas interessantes acontecendo na pista.
Sinceramente, eu gostaria de saber quanto a FIA recebe da Daimler Benz cada vez que o safety car entra na pista. Quando a entidade máxima do automobilismo importou dos EUA a idéia do safety car (por lá chamado de Pace Car), a coisa era mais controlada, e o safety car era acionado em situações que efetivamente houvesse risco. Hoje em dia está ficando quase como em corridas em circuitos ovais, por qualquer coisa estão acionando o tal carro. Não que seja desagradável admirar aquele belo Mercedes SLS, mas o pouco agrada e o muito aborrece. A segunda entrada do safety car foi justificada (afinal os resíduos da batida do Kobayashi no muro, e depois do Bruno Senna no Kobayashi foram grandes), mas a primeira foi só para mostrar a beleza do esportivo da marca alemã.
Aliás, por falar no safety car, acho que foi uma das poucas coisas que funcionou a contento, pois os fiscais... primeiro no caso do Kobayashi, que acelerou mais do que os desgastados pneus permitiam e acertou o muro. Nesse momento, os fiscais deveriam imediatamente ter agitado as bandeiras amarelas antes da curva, mas eles demoraram um pouco, e o Bruno Senna estampou violentamente o carro do japonês. Felizmente apenas danos materiais, mas a coisa poderia ser mais feia. Depois, já no final da prova, quando a Lotus do Kovalainen resolveu dar um espetáculo pirotécnico, até que os bombeiros chegassem o próprio piloto já quase tinha dominado o incêndio na traseira do carro. Se fosse no Brasil, haveria uma grita generalizada contra os fiscais, ameaças de tirar a corrida do calendário, etc. e tal. Como se trata de Cingapura, país que paga à FIA 35 milhões de dólares para sediar a corrida, ninguém comenta nada.
Alonso fez uma corrida soberana, justificando seu polpudo salário, principalmente no final, quando o Vettel resolveu partir para cima dele. O Webber chegou em terceiro depois de ter feito uma estratégia diferenciada por ocasião da primeira entrada do safety car, e até acredito que poderia ter terminado em primeiro, se não ficasse tanto tempo atrás do Barrichello, que nitidamente era mais lento que o australiano, mas não o suficiente para que fosse fácil a ultrapassagem. O Barrichello (6º lugar na bandeirada final), por sinal foi o piloto brasileiro com melhor atuação, já que o Di Grassi e o Bruno Senna pouco ou nada podem fazer com suas cadeiras elétricas e o “funcionário padrão” demonstrou que o acidente de Hungaroring efetivamente afetou a capacidade dele pilotar velozmente um carro de F-1. Aquele piloto arrojado de antes do acidente (que chegou a ser alcunhado de “Felipe Mansell”) desapareceu, e no lugar dele está um piloto burocrático, conformado e cerca de 1 segundo mais lento que o Alonso. O grande papel dele na atualidade é ser o mentor da F-Future, uma categoria de monopostos que ele criou com o auxílio (e motores) da Fiat para revelar novos talentos no automobilismo nacional. É bom que assim seja, pois dele dificilmente se poderá esperar mais alguma coisa.
Outro que decepcionou foi o Hamilton, que vinha fazendo uma corrida nos limites do que a McLaren oferece hoje, andando atrás do Alonso e do Vettel, e que perdeu a 3ª posição para o Webber quando foi trocar os pneus durante a 2ª entrada do safety car. Na relargada, aproveitando os retardatários, tentou forçar a ultrapassagem sobre o Webber por fora e acabou perdendo a dividida com o australiano. Teve a suspensão traseira quebrada, e praticamente disse adeus à briga pelo título. Está 20 pontos atrás do Webber, faltando 4 etapas (ou 3, se os coreanos não conseguirem terminar o autódromo a tempo. Parece Brasil...), mas na prática já começa a depender de quebras ou acidentes do piloto que menos errou até agora. Difícil...
A próxima etapa é no Japão (10/10/10, data cabalística), com o retorno da pista de Suzuka, de grandes memórias para todos nós. A exemplo de Interlagos e Spa, é uma pista na qual o Tilke não enfiou suas mãos, e costuma ser palco de belas disputas.
Até lá!

Alexandre Bianchini

3 comentários:

Sérgio Oliveira disse...

Alonso com a mão na taça?

Mario disse...

Não tenho nada contra o espanhol, até porque meus bisavós eram da Espanha, mas como é asqueroso este Alonso, heim?

Bianchini disse...

Bom, até o meio da temporada eu não apostaria as minhas fichas no Alonso, mas ultimamente a McLaren e a Red Bull perderam tanto rendimento que o improvável pode perfeitamente acontecer. Parece que o problema da McLaren foi a falta de adaptação do carro ao "escape difusor" copiado da Red Bull, e a Red Bull teve de mudar as asas para passarem no novo teste de rigidez da FIA,e a coisa desandou.
Quanto ao Alonso ser asqueroso, além da personalidade, digamos, difícil, aquela cena dele antes do pódio limpando o nariz na toalha em que estava secando o suor do cabelo e voltando a secar o cabelo com a mesma toalha foi no mínimo nojenta... Sei que europeus tem menores preocupações com higiene que os brasileiros, mas assim também é um pouco demais.