quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O estranho acaso que pode definir o destino


Em meio às diversas comemorações do centenário corintiano, eis que uma figura conhecida dos torcedores e da mídia em geral reaparece no Brasil. O controverso personagem é Kia, aquele que fez e desfez em sua curta passagem pelo time, lá pelo encantado Corinthians do começo da década. Se é interessante que ele venha ao Brasil eu não sei, só sei que todo o festejo alvinegro poderia ficar sem esse cartão de recordação.

Jornais narram o encontro entre o presidente do Corinthians e o investidor multinacional como um encontro de negócios: especulações em relação a volta do grupo de investimentos, sobre a compra do direito a dar o nome ao estádio do Corinthians, sobre a negociação de dívidas anteriores e mais uma porção de coisa. Alguns dizem que foi o acaso, que por acaso estavam os dois no mesmo lugar ao mesmo tempo. Nem Freud nem Newton podem explicar.

Andrés corre aos holofotes para explicar a situação: numa coletiva diz sobre o encontro.

Casual ou não, a verdade é que, pelo noticiário, os dois estiveram juntos. Quem sabe tomaram uma cerveja juntos. Kia fala sobre seu amor ao Corinthians como se, em sua nacionalidade multifacetaria, agora coubesse também o rótulo de maluco, de um bando de louco. Posso ver Kia beijando crianças em sua passagem rápida da “sua” saudosa Zona Leste. Kiazão não é um bom nome, garanto.

Revivendo o passado: Corinthians estava ganhando quase tudo (como sabem, menos a Libertadores). Investidores chegam trazendo novidades: craques e mais craques pelo ladrão. Um treinador que poderia ser a chave da tão sonhada Libertadores. De repente, em meio a desconfiança geral e pela perda de um jogo (que tirou o time da Libertadores), todos os investidores somem, levando consigo, em doses homeopáticas, todos os jogadores. O então presidente do Corinthians sai pelos fundos pouco antes da queda do time para a segundona.

Fase que ninguém quer relembrar.

Então, na festa de cem anos; eis que o fantasma ressurge. Será que Kia estava tão errado? Será que ele é culpado por tudo que aconteceu? Se foi culpado, porque agora novo encontro com o presidente do Corinthians que está prestes a ser o maior da história? Se Kia não foi tão culpado assim, qual o motivo de tanta fumaça? Kia fez bem ao Corinthians? Ele seria um mal necessário? Não estamos bem sem ele?

Debaixo da maquete parece que não sabemos mais nada mesmo: desde a ignorada no Morumbi, da escolha relâmpago do Estádio do Corinthians para apreciação da FIFA, desse jogo de empurra para ver quem é que vai pagar a dívida; desse encontro com o investidor que pode estar no Brasil apenas por habeas corpus; e tudo mais que não fazemos a menor idéia.

Prefiro continuar pensando nas regras de dentro do campo: que são claras.

A verdade é que os corintianos devem estar pouco ligando se o estádio está sendo facilitado por questões políticas (coisa que aconteceu há tempos com o Morumbi, segundo a lenda); mas tenho quase certeza que a pulga em relação ao projeto começou a pular, irritando os tímpanos; quando estourou a notícia desse encontro, ao acaso.

Espero que dessa vez não fiquemos sem estádio por causa de intrigas da oposição. Para nós, corintianos; já bastam nossos problemas em relação ao destino, que parece irreversível, em não termos a nossa própria casa e de, apesar de sermos donos do mundo em 2000, não termos uma Libertadores.

Nenhum comentário: