terça-feira, 31 de agosto de 2010

Centenário de amor e ódio


Ser corintiano. Talvez reflita um amor incondicional. Uma paixão qualquer. Ser corintiano de ser sofredor e de se sustentar na alegria, na tristeza; na saúde e na doença. E ser corintiano e ser um pouco diferente de tudo, quer queiram ou não os adversários. Não à-toa se fala tanto no time, em suas conquistas e sua falta de conquista. Todo mundo ri (o arqui-inimigo quando o time perde, o torcedor quando o time ganha). Não há indiferença no resultado. Por derrota, ou por vitória; todos falam do Corinthians.

Sempre existe um motivo para amá-lo ou odiá-lo.

E de tantos anos que se passaram, tanto a febre de quem ama quando o delírio de quem odeia, continuam os mesmos. A mesma intensidade, a mesma antipatia, a mesma paixão; o mesmo sentimento controverso existindo na cidade; onde todas as pátrias se encontram. Aqui, onde não há limite; o corintianismo decifrado nas ruas, no choro e na alegria dos corintianos; traduzidas nos xingamentos, desconfianças e repugnância dos anti-corintianos. São as duas classes sociais, a dicotomia do futebol paulista.

E como um time pode durar tanto tempo com essa malquerença?

Vive muito. Vive agora cem completíssimos anos. Vive seu centenário.

E alguns podem discordar, podem se queixar; podem justificar qualquer ódio pelo Corinthians com razões que o futebol desconhece; só não conseguem ficar omissos, indiferentes e quietos. Sempre haverá o lance duvidoso para relembrar, um gol perdido, um perna-de-pau que jogou no time; e tantas outras lendas do futebol. Como eu disse, o time que faz a alegria de tantos torcedores; mesmo quando não são torcedores.

Mas alguma coisa diz ao torcedor alvinegro, que as chacotas são apenas esperanças. Sim, esperança que o torcedor adversário tem de ser como todos os corintianos. A negação alviverde, tricolor e praiana é zombar das falhas corintianas como se fosse um amaldiçoado defeito. E todos sabemos, e falo agora apenas com a emoção e não muito com a razão; de que todos queriam mesmo é ser como o Corinthians.

Completar cem anos com um pouco de sua história.




















Nenhum comentário: