terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Museu de novidades

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Robinho está de volta. Novidade só não é maior porque parece ser uma tendência no futebol brasileiro: repatriar craques. Robinho é só mais um que, por algum motivo “não deu certo lá fora”. Depois de altos e baixos na Espanha e na Inglaterra; o jogador decide “ganhar menos” para ter maior visibilidade. Segundo a crônica esportiva, toda essa necessidade de ser notado tem uma relação íntima com a Copa do Mundo.

A pulga não pára. Digo isso por ouvir em cada apresentação desse pessoal, a razão da volta é: o amor falou mais alto. O motivo pode ser nobre, tão nobre que dá uma dor no peito de, um dia, termos abandonados esses craques em terras distantes, frias e insensíveis. Receber Robinho de braços abertos é demonstrar que, não só os jogadores precisam de calor humano; como torcedores precisam de ídolos.

É aí que a balela termina.

Essa onda de repatriar jogador de futebol mostra dois grandes fracassos: o primeiro é que não somos mais esse celeiro de craques, que brotavam em cada canto fértil dos pátios escolares, onde houvesse uma bola de meia e traves de tijolo de barro. Mostra o fracasso em esculpir o jogador “brasileiro”, que diferente dos demais jogadores mundiais, eram os únicos que podiam ser chamados de “boleiros”. A prova disso é o número de jogadores de base que são formados pelos clubes e “aproveitados” pelo time principal: nenhum.

O fracasso continua pela inoperância dos clubes do interior, que com a infiltração de dívidas, falta de recursos e administrações amadoras; vem a incubadora de craques desmoronar, resumindo-se em meia dúzia de jogadores “exportados aos grandes centros futebolísticos”. Nos últimos dos anos, a novidade de craques nos faz pensar num grande museu de novidades, relembrando a música do Cazuza.

O nosso segundo fracasso está relacionado aos jogadores: parte desses repatriados são jogadores que formaram um grupo de fracassados na Europa, onde o futebol é competitivo. Não estou falando em jogadores em final de carreira, esses aproveitaram muito a estadia em terras estrangeiras. Estou falando de grandes “promessas” que saíram com sei lá qual sonho, e voltam com outros sonhos “totalmente inversos”. Se primeiro queriam ganhar dinheiro e fazer a carreira no mundo desenvolvido; agora querem deixar o dinheiro de lado em prol ao desvelo que possivelmente possam receber.

É estranho, mas compreensível.

Robinho pode marcar uma geração de craques domésticos, que servem no Brasil como diferencial, como ídolo; como craque em um futebol capenga e sem atrativo; mas que na Europa não passam de um número no banco de reservas e um estorvo para advogados. A saída do jogador, muitas vezes de forma tumultuada (inclusive quando saiu do Santos); mostra que: ou ele não está nem ai mesmo para esse mundo do negócio (onde existe contrato e adimplência), querendo mesmo é “jogar bola” onde quer que seja. Ou ele quer mesmo é farrear com o futebol levando a profissão de um jeito “moleque, brincalhão e descompromissado” (mesmo em idade madura); o que nesse caso, não é uma qualidade.

A questão que todos querem saber é se Robinho dará certo no Santos. Segundo fanáticos torcedores é certo que Robinho se tornará em breve o ídolo que sempre tiveram. Outros acham que essa “instabilidade” profissional do jogador poderá prejudicá-lo onde quer que ele esteja jogando, mesmo quando diz estar morrendo de amor pelo escudo.

Eu fico com a dúvida se a frase final dessa novela não seja “o bom no Santos a casa estorva”.
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Um comentário:

Mario disse...

Obs: Meus comentários no post acima.