Um dos maiores trunfos do time campeão brasileiro desse ano não foi a esquerda mortal do Imperador nem o pé santo do Petkovic. A explicação para o título rubro negro pode ser encontrada na lateral do campo e atende pelo nome de Jorge Luis Andrade da Silva, ou, simplesmente, Andrade. Esse mineiro de Juiz de Fora que, quando jogador do Flamengo destacava-se pela simplicidade, se isso for possível, era uma peça chave naquele fantástico time rubro negro do início da década de 1980. Era um daqueles volantes que estão em extinção no futebol brasileiro. A reunião de técnica, habilidade e vigor físico. Pois bem. Como se não bastasse o inegável talento dentro das quatro linhas, Andrade mostrou ser um bom técnico ao sagrar-se campeão do campeonato mais importante do país. Alguns setores da imprensa ainda tratam o Andrade como um interino, um tapa-buraco, um Zé das Couves qualquer, talvez pelas suas maiores qualidades; discrição e simplicidade. A imprensa gosta do tom professoral da nova safra de técnicos gaúchos, do lugar-comum, da obviedade das preleções que mais parecem palestras de auto-ajuda, do estilo engomadinho ou nervosinho nas entrevistas, do estilo papai-sabe-tudo. O Andrade é o oposto disso. Ele não complica. Não é o cara da palestra motivacional. Ele ainda parece ser o sujeito que distribui as camisas dos jogadores antes das partidas. Fala a língua que o jogador entende sem ser grosseiro. Ensina sem ser pedante. O futebol, meus caros, não é um estudo metafísico. O futebol é simples. E o jogador do Flamengo gostou desse estilo. Ele não bateu de frente com o Adriano, não por submissão, mas, por compreender que o atacante é um craque de talento raro e que seria importante nos momentos decisivos, como realmente foi. Não polemizou com o Petkovic que, reconhecidamente, é uma mala sem alças, um sujeito que ninguém convida nem para aniversário de sogra, mas, que, saudável, pode decidir qualquer partida. Não se meteu em assuntos que não lhe diziam respeito e, no final, ganhou o troféu. Junto com o Silas, foram os dois melhores técnicos do futebol brasileiro em 2009. Esse é o tipo de técnico que eu gostaria de ver na seleção. Vejam que não estou cornetando o amigo do Dengoso, mas, o time nacional não precisa de acadêmicos, de pseudo-intelectuais, a seleção precisa de gente simples, que tire as amarras táticas do jogador, que não queira ser o responsável por tudo o que acontece dentro de campo. Que permita que o jogador seja ele mesmo e encontre as soluções para as partidas mais difíceis. E essa pessoa, na minha modesta opinião, tem que ser o Andrade. É óbvio, que dentro da certeza das minhas contradições, mudarei de opinião no primeiro jogo do Flamengo contra o Olaria, mas, palpitar não custa nada. Aliás, essa é a razão de ser do Patativa.
3 comentários:
O palpite que está valendo é esse mesmo: o cara é o boleiro de antigamente, dando o uniforme para um monte de pseudo-profissionais. Seria ótimo vê-lo na seleção brasileira.
Acho que é desse tipo de profissional que seleção e clubes precisam. Mesmo que não seja propriamente o Andrade, mas técnicos com suas características e história. Chega de "estrategistas" e "sabichões"!
Andrade mostrou que a fórmula do famoso "arroz com feijão" ainda dá certo.
O mercado brasileiro se abre para ele com este título, apesar de sua imagem ser ainda totalmente vinculada com o Flamengo.
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