sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Um museu de grandes novidades


Depois da avalanche Copa São Paulo de Futebol Júniores, com suas dezenas de equipes, e em alguns casos, um tanto bizarros, chegamos ao Campeonato Paulista. Segunda etapa na agenda dos clubes, o regional continua com a cara de preparação para o restante da temporada. As grandes equipes cada vez mais desinteressadas e federações cada vez mais ricas. O Paulista apenas com um atrativo romântico: seu lado histórico e de tradição inibindo o lado crítico e do entretenimento. E como dizem: é legal ganhar o Paulista, embora não seja tão importante.

É bem provável que uma surpresa aconteça, como por exemplo uma equipe do interior consiga o título – Ainda que não seja mais uma novidade, visto o título do Ituano o ano passado. Afinal de contas, parece que a continuidade da competição seja a solução menos dolorosa para equipes menores, que enxergam a oportunidade de bons contratos publicitários com jogos de maior visibilidade. Enfrentar um time grande é a chave de sucesso para equipe menores, com arquibancadas cheias em pelo menos quatro jogos por ano.

Dos grandes paulistas, Palmeiras parece mais sedento em relação a competição; pois a vê como grande chance de retomar o caminho vitorioso, e quem sabe, menos problemático das últimas temporadas. Seria o grande começo de Nova Era para o clube voltar a ser campeão. Embora tenha conseguido o título nacional com Felipão, a verdade é que a equipe há muito não brilha como um time verdadeiramente grande Uma coisa é o discurso dos torcedores, outra é o pragmatismo das competições. É claro que nenhum torcedor irá renegar a história, falar sobre o “manto”; a tradição e assim por diante. Mas nada disso ganha títulos.

Corinthians e São Paulo voltados para a Libertadores. Evidente que não deixarão de lado o Paulistão; mas esse interesse é apenas relativo, pois vai diminuindo a medida que etapas no torneiro continental vão sendo ultrapassadas. Entre uma semifinal da Libertadores e a final do Paulista, o segundo terá apenas um mistão, ou seja, cheio dos jogadores considerados “não-titulares” – De um tempo para cá a palavra reserva tem sido substituída por termos menos pejorativo. 

Santos numa completa renovação de diretoria, jogadores e crises financeiras. Nem quem acompanha a equipe sabe exatamente o que pode esperar dela.

Pois é, acabou a Copa São Paulo de Futebol Júnior com mais um título do Corinthians. Aperitivo na programação do futebol profissional, a competição sempre se vangloriou por ser o celeiro ideal de craques do futuro não revelará nada para o Paulista. Temos grandes velhas novidades nos clubes. Um museu de grandes novidades, como já cantou Cazuza. Zé Roberto, Dracena, Ricardo Oliveira e afins. Jogadores que já mostraram seu valor são menos arriscados e mais baratos que os novos pseudos-craques surgidos no futebol júnior. A maturação de um profissional é algo impossível nos tempos atuais. Jogadores, muitos deles grandes jogadores, só poderão ser vistos em times de menor expressão ou expressão nenhuma. Somente ali podem crescer, se tornarem opção para os clubes; não apenas promessas. 

Neste aspecto, a Copa São Paulo de Futebol Júnior parece valer muito mais que o preenchimento de tabela do Paulistão. Pelo menos na competição amadora podemos ver o futuro do nosso futebol, não apenas torcer por uma nostálgica sensação de que um dia fomos os melhores no esporte.



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