O futebol
brasileiro passou por um dos maiores vexames de sua história. Alemanha goleando
o Brasil pela Copa do Mundo foi apenas um detalhe. Estamos há anos no passado,
num futebol que deixou de existir. Insistimos ainda que aqui é celeiro, país do
futebol; nossas crianças apreendem futebol desde o berço. Bom, então alguma
coisa está bem errada; fingimos não saber. Os sete contra um é deprimente,
humilhante; não foi coisa do futebol; não em nível selecionável. Veja bem:
nossos maiores e melhores jogadores foram humilhados pelos alemães. Onde
erramos naquela partida? Foi acaso? Jogando hoje ganharíamos? Jogando uma outra
competição seríamos mais felizes? Balela!
Em meio a minha
crise de sofrimento; eis que me deparo com uma discussão sobre reforço,
contratação; chapéu. Parem as máquinas, já dizia Avalone. Parem as máquinas que
eu estou com tontura. Sim, os nomes são estranhos para mim, nada parece ser uma
grande negociação. Expliquem de modo racional qual é a sua euforia. É verdade
que parte desse otimismo está lá pelos lados do Allianz; onde qualquer coisa,
qualquer time que se montasse, seria melhor que a temporada anterior. Mas, é
mesmo uma dessas maravilhosas seleções? Estamos mesmo falando de jogadores
fantásticos; ou apenas, comparando, melhores que os anteriores? Pois é, nosso
futebol volta e mexe se acostuma com pouco.
Hoje ficaremos
alegres em não sofrer goleada contra os europeus. Corinthians enfrentará dois
times alemães e a Globo insiste com o negócio de revanche. Ora, sem cabimento.
Válido como uma jogada de mercadológica, aumentar o prestígio do caça-níquel;
valorizar o produto que eles bancam. Como disse em várias oportunidades, Globo
não tem predileção por qualquer equipe, tem pelo lucro. O dia que o Corinthians
não for vantajoso, será jogado para a lata do lixo. Quem bate na tecla de
clubismo quando vê televisão não sabe absolutamente nada de como funciona as
cifras, os contratos e os negócios que envolvem o futebol.
E os negócios
foram ótimos para todos, menos para os torcedores. Estes, quando muito, conseguem
um prêmio por comprar uma televisão, gastar no cartão de crédito; tomar
determinada cerveja. Quase sempre é o torcedor quem paga a conta da ótima e da
péssima administração dos clubes. Um Cruzeiro, campeão de tudo que pode, vê seu
time se deteriorando de maneira infeliz: é vendido como parte do negócio, que é
desfazer e refazer uma equipe.
Mas como
manipular tantos jogadores igualmente medianos? Como montar uma equipe
competitiva com o mais do mesmo? Embora o Palmeiras esteja contratando
exatamente o que pode, também corre o risco de cometer a mesmice. Os nomes são
melhores, por isso o otimismo da maioria dos torcedores palmeirense, mas isso não
significa um time campeão. Lembro-me da
década de oitenta quando o Corinthians montou aquilo que se chamava “esquadrão”.
Hugo De León como craque na defesa e assim por diante. Não deu liga, pois o
futebol é mais humano dos esportes, mais desumanos dos negócios. E assim que
funciona a derrota e a vitória de uma equipe: somos pegos geralmente de surpresa,
como num sete a um sem propósito.
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