sexta-feira, 10 de maio de 2013

Desabafos e Confissões: A moeda genérica do futebol (II)


 

O meu comentário em relação ao texto anterior Desabados e Confissões de quinta-feira ficou tão vasto e complexo, que decidi faze-lo em forma de um novo texto. O que demonstra que o debate é grande e que não envolve apenas um time de futebol, mas o futebol de uma maneira geral. Itens destacados no texto como: falta de caráter, falta de comprometimento, falta de profissionalismo e a questão dos ídolos não são coisas novas no futebol brasileiro. No entanto, devemos entender que há uma modernidade em toda cadeia, que vai desde os novos torcedores até a lembrança dos velhos ídolos.

O futebol só existe, pois está intrínseca a paixão. E a paixão não é um item fácil de lidar. Assim como nos magoamos com a esposa, namorada ou aquela amizade colorida; quando esta não nos dá o valor necessário; o torcedor de futebol se sente traído quando a paixão não é uma coisa recíproca. Exigimos que o jogador de futebol entre em campo com a mesma disposição que temos em torcer por ele. Essa é a troca. Mas é uma troca injusta, pois a visão do torcedor é diferente da visão do profissional do futebol.

Pense na seguinte situação: Você é um jovem promissor na carreira e vê inúmeras oportunidades de ganhos. Recebe um salário ótimo, mas é obrigado a cumprir inúmeras determinações da empresa, tanto no horário como na disponibilidade de datas. Mas chega um momento em que você está se doando mais do que deveria. Pior: em determinada hora você não recebe mais o seu salário. Como você agiria? Pois bem, quantos casos de jogadores de futebol você já ouviu em relação ao atraso de salários e mesmo assim continuam cumprindo suas obrigações como profissional? O que eu quero dizer é o seguinte: Trabalhar por dinheiro não é necessariamente ser um mercenário, mas ser profissional.

Exigimos dos jogadores de futebol o profissionalismo. Mas ser profissional no futebol não é a mesma coisa que ser profissional como médico, por exemplo. Para o jogador de futebol exigimos itens “vitais” como: a entrega, disciplina, amor, humildade, habilidade, coragem, fidelidade e treinamento. Qualquer um desses itens pode prejudicar o profissional em campo. E alguns exemplos claros de times derrotados, têm em sua estrutura, ou em alguma de suas peças; jogadores descaracterizados (“sem caráter”) de jogador de futebol.  Mas para evitar qualquer mal entendido, abreviamos suas características para a famosa “entrega”. Jogador ídolo é o jogador que se entrega em campo!

Mas, por algum motivo, ídolos são de carne; não são deuses. Ídolos podem fazer o bem, ou podem apenas querer o seu próprio bem. A sede pela vitória pode ultrapassar o limite do coletivo e se transformar em algo egoísta. São Marcos decidiu parar de jogar quando viu que as mãos não mais obedeciam, exemplo de paixão incondicional do ídolo. Dizem que Marcelinho Carioca boicotou Túlio no Corinthians apenas por capricho, exemplo de uma paixão desproporcional do ídolo. No caso específico, Rogério Ceni está entre a cruz e a espada: Ou continua líder em sua paixão egoísta, ou lidera através de sua paixão incondicional.

Em campo o goleiro ainda não demonstra sinais de grande perda técnica. Apesar de falhas indiscutíveis e inéditas para sua carreira. Ele ainda é considerado um grande goleiro por muitos críticos e torcedores. Todavia, não temos como saber se ainda exerce o papel fundamental dentro de campo. Considerando a falta de comprometimento, dito pelo nobre torcedor agora a pouco, devemos levar em consideração que muitos jogadores do atual elenco não devem ouvir com seriedade o que o goleiro anda dizendo em suas palestras. Parece que a questão de ídolo é apenas reverência de torcedor, ou seja, não determina para alguns jogadores o caminho que deve ser trilhado para a vitória.





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