O meu comentário em
relação ao texto anterior Desabados e Confissões de quinta-feira ficou tão
vasto e complexo, que decidi faze-lo em forma de um novo texto. O que demonstra
que o debate é grande e que não envolve apenas um time de futebol, mas o
futebol de uma maneira geral. Itens destacados no texto como: falta de
caráter, falta de comprometimento, falta de profissionalismo e a questão dos ídolos não são coisas novas no futebol brasileiro. No
entanto, devemos entender que há uma modernidade em toda cadeia, que vai desde os
novos torcedores até a lembrança dos velhos ídolos.
O futebol só existe,
pois está intrínseca a paixão. E a paixão não é um item fácil de lidar. Assim
como nos magoamos com a esposa, namorada ou aquela amizade colorida; quando
esta não nos dá o valor necessário; o torcedor de futebol se sente traído
quando a paixão não é uma coisa recíproca. Exigimos que o jogador de futebol
entre em campo com a mesma disposição que temos em torcer por ele. Essa é a
troca. Mas é uma troca injusta, pois a visão do torcedor é diferente da visão
do profissional do futebol.
Pense na seguinte
situação: Você é um jovem promissor na carreira e vê inúmeras oportunidades de
ganhos. Recebe um salário ótimo, mas é obrigado a cumprir inúmeras
determinações da empresa, tanto no horário como na disponibilidade de datas.
Mas chega um momento em que você está se doando mais do que deveria. Pior: em
determinada hora você não recebe mais o seu salário. Como você agiria? Pois
bem, quantos casos de jogadores de futebol você já ouviu em relação ao atraso
de salários e mesmo assim continuam cumprindo suas obrigações como
profissional? O que eu quero dizer é o seguinte: Trabalhar por dinheiro não é
necessariamente ser um mercenário, mas ser profissional.
Exigimos dos
jogadores de futebol o profissionalismo. Mas ser profissional no futebol não é
a mesma coisa que ser profissional como médico, por exemplo. Para o jogador de
futebol exigimos itens “vitais” como: a entrega, disciplina, amor, humildade,
habilidade, coragem, fidelidade e treinamento. Qualquer um desses itens pode
prejudicar o profissional em
campo. E alguns exemplos claros de times derrotados, têm em
sua estrutura, ou em alguma de suas peças; jogadores descaracterizados (“sem
caráter”) de jogador de futebol. Mas
para evitar qualquer mal entendido, abreviamos suas características para a
famosa “entrega”. Jogador ídolo é o jogador que se entrega em campo!
Mas, por algum
motivo, ídolos são de carne; não são deuses. Ídolos podem fazer o bem, ou podem
apenas querer o seu próprio bem. A sede pela vitória pode ultrapassar o limite
do coletivo e se transformar em algo egoísta. São Marcos decidiu parar de jogar
quando viu que as mãos não mais obedeciam, exemplo de paixão incondicional do
ídolo. Dizem que Marcelinho Carioca boicotou Túlio no Corinthians apenas por
capricho, exemplo de uma paixão desproporcional do ídolo. No caso específico,
Rogério Ceni está entre a cruz e a espada: Ou continua líder em sua paixão
egoísta, ou lidera através de sua paixão incondicional.
Em campo o goleiro
ainda não demonstra sinais de grande perda técnica. Apesar de falhas
indiscutíveis e inéditas para sua carreira. Ele ainda é considerado um grande
goleiro por muitos críticos e torcedores. Todavia, não temos como saber se
ainda exerce o papel fundamental dentro de campo. Considerando a falta de
comprometimento, dito pelo nobre torcedor agora a pouco, devemos levar em
consideração que muitos jogadores do atual elenco não devem ouvir com seriedade
o que o goleiro anda dizendo em suas palestras. Parece que a questão de ídolo é
apenas reverência de torcedor, ou seja, não determina para alguns jogadores o
caminho que deve ser trilhado para a vitória.
Atenção: Chegando ao número 70.000 cliques no Patativa da Bola
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