quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Estréia nas alturas (2012).

Este é o estádio Hernando Siles, em La Paz. Principal estádio boliviano, com capacidade para 42.000 pessoas, mas já coube 55.000. A 3637 mts acima do nível do mar, (ao pé da Cordilheira dos Andes), é o estádio no planeta que fica mais perto do céu. Jogadores de locais menos elevados, sentem o ar rarefeito quando atuam lá. E isto é comprovado cientificamente. Ocorrências de sangramentos no nariz e mal-estar são comuns. Dentro de campo, a bola fica mais leve, e consequentemente, mais rápida.


Com a condição de atual campeão da América, além de ter o time mais caro e também de possuir o melhor jogador do continente eleito recentemente (Neymar), o Santos estreou contra o The Strongest, tradicional clube boliviano, já conhecido dos brasileiros. E além do fator casa, os bolivianos aproveitam este fator geográfico para tirar vantagem. Foi assim que a seleção brasileira conheceu sua primeira derrota nas eliminatórias para a Bolívia em 1994: 2x0. E a primeira derrota santista para os bolivianos também ocorrera neste estádio, em 2005, pela Libertadores: Derrota para o Bolívar por 4x3, naquela ocasião os gols do Peixe foram marcados por Deivid (2) e Robinho. Em outros tempos, parecia que a altitude não era tão boa jogadora como é hoje. Claro, os efeitos eram os mesmos, e os sangramentos no nariz também existiam. Falaremos disto mais tarde.



Apesar da altitude, o Santos foi melhor que o The Strongest, na maior parte do jogo. Criou as melhores chances, principalmente no segundo tempo, quando se esperava iria faltar oxigênio para o time. As jogadas bolivianas, ficavam restridas às bolas paradas, através do número 10, Escobar. Na verdade os três gols do jogo se originaram jogadas assim: A primeira, após cruzamento de Ganso em cobrança de falta, aos 10' do 1º tempo, com Henrique pegando o rebote e marcando o primeiro gol santista na Libertadores 2012. Ainda no primeiro tempo aos 33', Cristaldo pega um chute cruzado de primeira após a bola passar por toda a zaga santista e aos 45' da etapa final, Ramallo, que acabara de entrar, mergulhando de cabeça, com os marcadores assistindo, após cobrança de escanteio.


Conforme ditado de Muricy Ramalho: "a bola pune, meu!", e não há um jogo melhor do que este para exprimir isto. Ou se preferirem, o também famoso "quem não faz, toma". Foi assim. O Santos suplantou a altitude, mas novamente parou nos seus erros. E caso queira conquistar o tetra, feito ainda inédito para um clube brasileiro, terá que sair das alturas e voltar ao nível dos mortais. Não que o time tenha entrado de salto alto, não senti isto. Mas parece que faltou um pouco aquela vontade de sujar o calção. E também de Muricy mexer em algumas peças que já não estão rendendo há algum tempo, apesar de valerem bastante. Vamos aguardar. Próxima partida do grupo contra o Inter, ao nível do mar, na Vila Belmiro.



THE STRONGEST 2x1 SANTOS:


THE STRONGEST-BOL: Vaca; Parada, Ojeda, Méndez e Torrico; Soliz, Chumacero, Lima e Cristaldo (Rodrigo Ramallo); Pablo Escobar e Melgar (González) Técnico: Mauricio Soria


SANTOS: Rafael; Fucile, Edu Dracena, Durval e Pará; Henrique, Arouca, Ibson (Elano) e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Borges (Alan Kardec). Técnico: Muricy Ramalho.


2 comentários:

Cesar Augusto disse...

Esse time do Strongest é uma piada pronta: Vaca no gol, Parada na lateral, Chumacero como volante e o Pablo Escobar no COMANDO do ataque.

Mario disse...

Rapaz, eu não havia "se apercebido" disto! Pior que perdemos pros caras, e já ficou pra história.