Palmeiras vive uma fase terrível. Culpa dos jogadores, dirigentes e do treinador. Ninguém é santo nessa temporada, como não foram na temporada passada. Kleber afirmou que esse peso de hoje é um reflexo ainda do ano passado, quando o time deixou escapar um título por motivos que ninguém conseguiu entender. Aliás, razão por esse time não andar na atual competição também parece óbvia. O que é tão elementar assim que não sabemos?
Para essa temporada vieram exatamente os sonhos de consumo: Valdívia, Kleber e Felipão. Parecia, para grande parte dos torcedores, que alguma coisa iria melhorar. O mais consciente de todos sabia que somente essas três mudanças não seriam suficientes, era preciso mudar tudo. Mudar tudo no futebol é complicado, mas às vezes essencial. O time resolveu mudar por etapas.
Kleber já mostrou o acerto da diretoria. Um jogador como ele, joga em qualquer lugar com qualquer um. Não importa A ou B em campo, ele faz o que tem que fazer. Infelizmente ele não consegue o milagre necessário, e demonstra sinais de cansaço em sua rotina de murro em ponta de faca. Não à-toa ainda é ídolo, mesmo com tanta coisa andando errado.
Outro que demonstrou um belo acerto, é Marcos Assunção. Não chegou com tanto prestígio, mesmo assim virou peça fundamental num time que ainda não definiu muito bem o seu sistema de jogo. Sistema que não tem ajudado muito outro ídolo: Valdívia. Veio como lebre, mas querem seu papel de gato. A crise de identidade em campo prejudica o seu bom futebol: não sou o meia que sonham, mas o sonho de um meia que precisam.
E por último, o tão falado Felidão. Também ídolo, chegou como a grande salvação para o balaio que havia se tornado o time. Disse assim, disse assado; fofoca; mulheres e carrão. Tem gente que não joga pois não recebe, tem aqueles que recebem e não jogam. Peneirando todo mundo, vai saber quem ainda está certo. Felipão no olho do furacão precisava apenas fazer o que ele mais bem sabe: motivar o seu grupo.
O que o Palmeiras mais precisava até então, se considerarmos os acontecimentos do campeonato anterior; era alguém que batesse no peito e tomasse todas as dores. Os jogadores precisavam de um paizão, alguém que recebesse as críticas, que em campo conseguisse tirar leite de pedra (já que não tinham mais a Parmalat). Tirar um pouco mais do medíocre, e o fantástico do diferenciado. Felipão tão simplório em esquema tático, magnífico em formar família.
Mas alguma coisa desandou: suas primeiras palavras eram de que o time era realmente regular; e que ele havia chegado para construir o sonho do próximo ano. O balde de água gelada na cabeça dos jogadores: o que ele sabia fazer de melhor, saiu pela culatra. Qual a razão de dizer isso publicamente? De sacrificar todo o grupo, escolhendo apenas dois ou três? Alguns palmeirenses me disseram que o elenco é horrível. Mas a estratégia não era motivar?
Talvez o que parecia elementar, não estava tão claro assim. O time irregular mostra a descontinuidade que uma equipe não pode ter: de um sistema bem montado contra o Grêmio, ao amontoado contra o São Paulo. De grandes apresentações em terreno inimigo, as péssimas dentro de casa. Do silêncio dos jogadores, as reclamações públicas do treinador (algumas com sentido).
“Elementar, meu caro Watson” é uma frase que não apareceu em nenhum livro do famoso detetive inglês. Assim como não encontraremos a fórmula do fracasso e do sucesso. Em compensação, para alguns times de futebol, a razão da derrota é tão mais óbvia que parece mesmo querer ficar oculta.
.
.
.
2 comentários:
Grandes técnicos que antigamente tiravam leite de pedra, não estão mais conseguindo fazer "milagres". Vide Luxemburgo, Felipão e Muricy que não está conseguindo recuperar o gás do Fluminense.
Chamar esse elenco de horrível é ser muito bondoso com ele... Eu incluiria na lista dos que se salvam o Pierre, que tecnicamente é limitado mas é um dos poucos que costuma se esforçar do início ao final do jogo.
Pelo menos metade do elenco do Palmeiras é de jogadores que ficariam na reserva do Juventus da Rua Javarí, do Jabaquara, do Brasiliense...
Lamentável.
Postar um comentário