segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Super fantástico Santos

Não estamos na metade do Campeonato Paulista, mas parece que a crônica esportiva já escolheu o queridinho da vez: Santos Futebol Clube! Não é para menos, nem uma escolha aleatória. O time praiano realmente tem feito grandes jogos, dignos das melhores notas dos jornalistas esportivos. No entanto, essa euforia ultrapassa um pouco o poder da razão, transformando-nos, amantes do grande futebol, em torcedores.

Disse Chico Lang em sua coluna na Gazeta Esportiva, que quem não gosta de ver esse time do Santos jogando não gosta de futebol. E, apesar de todo o “corinthianismo” desse jornalista, revela que é fã do time treinador por Dorival Júnior. Outro jornalista da Gazeta, Flávio Prado, também conhecido por seus palpites “racionais” diz que se incomoda apenas quando dizem que esse “time do Robinho” está jogando um “bolão”; quando na verdade o time já existia nesse moldes antes da chegada do Robinho.

E é neste ponto que eu concordo com todos eles: O time do Santos é uma espécie de Déjà vu dos tempos românticos. Também concordo que o time era bom antes mesmo da chegada do Robinho; portanto, o Robinho veio para completar, não para estrelar. Uma opinião minha é que Neymar, PH e André são evidentes na importante campanha do time no Campeonato Paulista. E o Robinho é a cereja do bolo que faltou em outras equipes do ex-presidente Marcelo Teixeira.

Mais espantoso da campanha do atual líder do campeonato, é essa tentativa de compará-los aos grandes nomes da fase clássica do Santos. Eu, como vocês devem ter percebido em minhas opiniões; defendo que o futebol de hoje é uma espécie de rascunho mal elaborado do passado, que mistura o imediatismo, o business e a ilusão do entretenimento num único balaio, numa tentativa de mostrar o futebol como mero esporte, mas como um grande negócio.

A crise do futebol estrutural. Mas não é só culpa dos dirigentes, mas de todos que estão diretamente ou indiretamente ligados ao esporte. Os torcedores, por exemplo, têm interesses diferentes dos torcedores da década de 70/80. Jogadores? Visam o planejamento profissional, voltando-se muitas vezes para o crescimento financeiro de suas carreiras, como acontece com quase a totalidade dos profissionais em áreas distintas. Então, o futebol de hoje, é também fruto daquilo que somos como “consumidores”.

E nessa mudança toda, qualquer coisa que possa rememorar o futebol do passado; daquele futebol bem “brasileiro” que dispensa aqui qualquer descrição; é visto com bons olhos. Por isso o Santos está na boca do povo: para que os rivais morram de inveja e inventem motivos de desaprovação; e para que os torcedores se manifestem na mais nítida nostalgia de um orgulho que, para esses torcedores, não tem data de validade.

Então, aproveitemos a boa fase não do Santos; mas do futebol que sempre gostamos de apreciar. E que façamos isso antes que seja tarde demais.
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2 comentários:

Cesar Augusto disse...

Concordo. Mas, para que essa onda boa perdure é importante que o Santos consiga realizar grandes atuações contra boas e competitivas equipes também. Não vale chegar num jogo importante da Copa do Brasil e jogar o tal do futebol business. Aí o príncipe tornará a ser sapo.

Mario disse...

No primeiro jogo do campeonato paulista em que o Santos goleou o Rio Branco, já se pôde verificar uma brusca mudança na equipe, mais vibrante e com mais fome de bola. Credito isto ao Dorival, já que a equipe é quase a mesma do ano passado.